Plataforma criada no IFFar ganha escala nacional e fortalece gestão de eventos
Tecnologia desenvolvida a partir de demandas internas evoluiu ao longo de uma década e hoje é utilizada por instituições de diferentes regiões do país na gestão de eventos acadêmicos.

Os estudantes Aderson, Enzo e Lorenzo, do IFFar – Campus São Borja, ao lado do professor Fernando, durante a MEPT 2025, realizada em Santa Rosa. Foto: Rômulo Tondo/ Secom - IFFar
O que começou como uma solução criada para atender uma demanda específica de avaliação acadêmica tornou-se, ao longo dos anos, uma plataforma reconhecida nacionalmente pela gestão de eventos acadêmicos. Desenvolvido no IFFar – Campus São Borja, o Bookline é resultado de um processo contínuo de inovação, baseado na escuta da comunidade acadêmica e no aprimoramento tecnológico, que em 2025 alcançou um novo patamar ao ser adotado por diferentes instituições e projetos da Rede Federal de Educação.
Da avaliação de pôsteres à gestão integrada de eventos acadêmicos
A história do Bookline tem início em 2015, durante a Mostra de Educação Profissional e Tecnológica (MEPT), realizada no Campus São Borja. Naquele momento, a necessidade era tornar mais ágil e confiável o processo de avaliação de pôsteres. A solução desenvolvida permitiu substituir os formulários impressos pelo uso de tablets e smartphones, automatizando a apuração dos resultados. “O objetivo inicial era prover uma forma automatizada para avaliar os trabalhos e realizar a apuração e classificação dos resultados. Naquele ano, o aplicativo representou um marco, pois os avaliadores deixaram de usar formulários impressos”, relembra o professor Fernando Luis de Oliveira, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da plataforma.
A partir dessa primeira experiência, novas demandas passaram a surgir. Em 2016, o Bookline incorporou o processo de submissão de trabalhos, permitindo que autores enviassem seus materiais e recebessem os pareceres diretamente pela plataforma. Na sequência, o sistema passou a controlar inscrições em oficinas e palestras, registrar presença e emitir certificados digitais.
Com a ampliação do uso, em 2018 o Bookline passou a ser disponibilizado pela Reitoria do IFFar, garantindo maior estabilidade, segurança e alcance institucional. Já em 2020, diante das dificuldades enfrentadas pelas equipes organizadoras para gerenciar arquivos enviados em formato tradicional e compilar os anais dos eventos, uma nova solução foi implementada. “Embora o processo de submissão já fosse automatizado, ainda havia muita dificuldade na gestão dos trabalhos. A conferência manual e a compilação dos anais demandavam muito tempo e envolviam muitas pessoas”, explica o professor. Segundo Fernando, a criação de um novo formato de submissão permitiu que os autores inserissem diretamente os conteúdos, com geração automática dos arquivos finais. “Com essa nova abordagem, passamos a ter controle sobre todo o fluxo e fomos capazes de gerar anais com milhares de páginas em poucos minutos”, comenta.
O amadurecimento da plataforma refletiu-se nos números alcançados em 2025. Somente neste ano, o Bookline registrou mais de 22 mil participantes, 18 mil inscrições efetivadas, cerca de seis mil certificados emitidos digitalmente e quase dois mil trabalhos submetidos, além de milhares de pareceres avaliativos e centenas de atividades organizadas com apoio do sistema, consolidando-se como referência na gestão de eventos acadêmicos.
Para o professor Fernando, esse crescimento está diretamente relacionado à maturidade da ferramenta. “Os campi passaram a adotar o Bookline para eventos mais rotineiros, como semanas acadêmicas, eventos de formação e mostras culturais. Além disso, o volume expressivo de trabalhos submetidos à MEPT de 2025 contribuiu de forma direta para esses números”.

Aderson Bertim, bolsista do projeto Bookline, e o professor Fernando Luis de Oliveira no Laboratório de Informática do Campus São Borja, onde são desenvolvidas e testadas as funcionalidades da ferramenta. Foto: Andriel Martinez | Ascom/IFFar-SB
Expansão nacional, inovação tecnológica e impacto na formação acadêmica
O ano de 2025 também marcou a expansão institucional do Bookline para além do IFFar. A plataforma passou a ser utilizada por outros Institutos Federais, como o Instituto Federal de São Paulo (IFSP), o Instituto Federal do Paraná (IFPR), o Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), o Instituto Federal de Rondônia (IFRO), o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), o Instituto Federal do Amazonas (IFAM) e o Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE), movimento impulsionado pela participação no projeto Rede APE, projeto de acesso, permanência e êxito na Rede Federal.
“O projeto Rede APE funcionou como uma vitrine. Servidores de outras instituições puderam conhecer o Bookline e perceber que compartilhamos necessidades semelhantes. Isso mostra que a solução desenvolvida para a nossa realidade também é aplicável a outros contextos institucionais”, avalia o professor. Segundo ele, essa expansão reforça o papel do IFFar como desenvolvedor de soluções públicas. “O reconhecimento mais significativo se dá junto à sociedade, pois somos uma instituição pública e o Bookline representa uma devolutiva real à comunidade”.
A modernização tecnológica acompanhou esse processo de expansão. Em 2025, foi lançada a versão 3.0 da plataforma, com nova proposta visual, melhorias na experiência do usuário e novas formas de acesso, como autenticação via Google e gov.br, além da integração em andamento com o SUAP. “Novas formas de acesso se traduzem em simplificar e encurtar caminhos. Quando integramos o Bookline ao Google e ao Gov.br, buscávamos permitir que pessoas que nunca tiveram contato com a ferramenta pudessem, em poucos cliques, acessar o sistema”, destaca o professor. Ele acrescenta que essas integrações também ampliam a confiança dos usuários, por estarem vinculadas a sistemas oficiais do governo federal.
Outro marco importante foi a assinatura do primeiro Acordo de Cooperação Técnica, firmado com o Instituto Federal de São Paulo (IFSP). A parceria fortalece o compartilhamento de soluções tecnológicas e prevê, como contrapartida, a concessão de bolsa de extensão a um estudante do IFFar.
Para o bolsista Aderson Blaise da Silva Bertim, estudante do curso de bacharelado em Sistemas de Informação, participar do projeto tem sido uma experiência formativa. “Estar em um projeto de escala nacional exige um nível de rigor técnico muito superior aos projetos acadêmicos comuns. É gratificante saber que as melhorias que implementamos impactam diretamente a gestão de recursos”, afirma.
Atuando no desenvolvimento full stack, com demandas tanto no front-end (a parte que envolve a interface visual com o usuário) quanto no back-end (responsável pelo servidor, banco de dados e lógica da plataforma), Aderson destaca que as atualizações de 2025 exigiram priorização e escuta atenta dos usuários. “Lidar com demandas reais nos força a sair da teoria e a entender as dores dos usuários, tratando cada feedback institucional como uma oportunidade de evolução técnica e processual”.
Segundo o estudante, o Bookline também cumpre um papel importante na formação profissional. “O projeto funciona como uma ponte entre a sala de aula e o mercado de trabalho. Um erro no código pode afetar milhares de usuários, o que elevou nosso padrão de testes e qualidade”, relata.
Olhando para o futuro, o Bookline segue em processo de aperfeiçoamento, com previsão de novos módulos, ampliação do uso de Inteligência Artificial e desenvolvimento de funcionalidades específicas para as etapas pré, durante e pós-evento. Do ponto de vista institucional, há o esforço para que a plataforma seja reconhecida como um ativo estratégico do IFFar. “Há um cuidado específico com os servidores que utilizam a plataforma, buscando acolher sugestões e incorporá-las à ferramenta. Para além das fronteiras do IFFar, iniciamos um caminho para que o Bookline possa contribuir com toda a Rede Federal de Educação”, conclui o professor Fernando.
Da identificação de uma necessidade local à consolidação como solução nacional, o Bookline exemplifica como a inovação, quando articulada ao ensino, à pesquisa e à extensão, pode gerar impacto concreto para a educação pública brasileira.
Secom
Notícia: Rômulo Tondo - Jornalista
Fotografia: Andriel Martinez - Estagiário de Comunicação - Assessoria de Comunicação - Campus São Borja.
Redes Sociais