Crônicas que fazem pensar

Recentemente, a turma do segundo ano do Ensino Médio do Curso Técnico em Mecatrônica Integrado recebeu um desafio criativo: produzir crônicas, abordando assuntos contemporâneos e relevantes que, na percepção dos estudantes, careciam de maior visibilidade.
A atividade aconteceu durante as aulas de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, ministradas pela professora Rafaelly Andressa Schallemberger, onde, inicialmente, os alunos tiveram contato com diferentes autores e com uma variedade de crônicas sobre temas atuais. O resultado foram textos criativos, críticos e bem-humorados, capazes de levar o leitor à reflexão sobre situações do cotidiano.
A proposta também buscou mostrar aos estudantes que a escrita literária não pertence apenas a escritores consagrados. Muitas vezes, existe a ideia de que somente grandes autores são capazes de produzir textos significativos, quando, na verdade, toda pessoa possui experiências, percepções e sentimentos que podem ser transformados em literatura. A partir do conhecimento das características do gênero e da liberdade de expressão, os alunos puderam dar voz ao seu eu lírico e desenvolver uma escrita autêntica e sensível.
Além disso, a atividade permitiu refletir sobre o papel da literatura na sociedade. Mais do que entretenimento, a literatura também possui um importante caráter de reflexão, denúncia social e catarse, possibilitando ao leitor compreender melhor a realidade, questionar situações cotidianas e reconhecer emoções e vivências humanas presentes nos textos.
Por fim, os alunos foram incentivados a submeter suas produções à Revista Letrilhando, vinculada ao curso de Letras da Universidade de Passo Fundo (UPF). A aluna Sarah Isabelli Weber Dick teve sua crônica selecionada e publicada pela revista, fato que evidencia a qualidade dos textos produzidos pela turma. O texto dela pode ser conferido no link: https://letrilhando.com/2026/05/31/feliz-dia-da-mulher/.
A seguiur, confira algumas das produções destaques elaboradas pelos alunos:
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"(In)decisão da minha vida", por Gabrielly Grechi
Quando me sentei na frente do computador, em uma manhã comum de sábado, eu tinha um único objetivo, escrever uma crônica, que foi proposta pela professora de português. Para quem não sabe, a crônica é um gênero de escrita que relata diversos temas, que podem ser do dia a dia, humorístico, até mesmo crítico, o que me deixava com uma ampla gama de opções de escrita. Cada minuto que passava se transformava em horas, e cada vez eu ia me afundando mais e mais na cadeira. Devo dizer que não conseguia escrever por falta de ideias, mas sim pelo excesso delas, tantas coisas que eu podia criticar ou transformar em piada. Passei muito tempo conversando com meus pais sobre o que poderia escrever.
_ Será que eu poderia fazer uma crítica, por exemplo a, algo relacionado a política ou sobre algumas das minhas aulas de filosofia?
Minha mãe me olha, parece pensar sobre, então diz:
_ A decisão é sua.
Decidir, essa palavra pode fazer pessoas suarem frio só de ouvirem ser dita em voz alta, e muitas das vezes eu sou essa pessoa. Se pararmos para pensar, tomamos decisões durante toda a nossa vida, todos os dias, o que vamos comer, que roupas vamos usar, entre outras várias decisões que tomamos. Existem decisões mais difíceis, como escolher nossa futura profissão, mais fáceis, como escolher o jantar.
Foi aí que tomei a decisão de falar sobre isso, por que não falar sobre a própria indecisão? Por que não questionar como isso nos ajuda ou nos atrapalha?
Quem conhece a autora que escreveu essa crônica deve saber que ela tem grande amor pelos livros e quando lemos com bastante frequência, notamos principalmente em livros de fantasia, que os acontecimentos somente chegaram àquele ponto por uma decisão do personagem principal. Mas, quem lê muito, também sabe que as decisões dos outros têm influência dentro da história, que parece não causar tantos impactos, porém, talvez aquele final pode ter acontecido por uma decisão que parecia não ter tanta significância.
Por exemplo, quando um pai decide tomar uma decisão um tanto, podemos dizer engraçada:
_ Vem ver uma coisa aqui, filha.- Fala o pai da menina com uma caixa nas mãos
_Que isso, pai?- Pergunta a menina chegando perto da caixa, quando vê o que tem lá dentro, sua expressão mostra total surpresa.
_Onde arrumou esse bicho?- Pergunta a menina tirando um coelho de cor marrom de dentro da caixa de papelão.
_Comprei na agropecuária- fala o pai, como se aquilo não fosse nada de mais.
Bom, aquela decisão fez com que a menina passasse a ter que alimentar um bichinho muito fofinho e também limpar uma bagunça que não parecia capaz de um coelho tão pequeno ter feito.
O que quero dizer é que todas as decisões nossas e dos outros vão nos levar a uma série de consequências que podem ou não interferir de maneiras significativas na nossa vida, como decidir escrever esse texto fez com que hoje eu estivesse lendo ele para vocês, com que eu estivesse nesta sala, com essas pessoas.Decisões minhas e suas, que fizeram com que hoje estivéssemos no mesmo lugar e espero continuar tomando decisões certas que me levem para um lugar ainda melhor.
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"Entre repetições e notificações", por Igor Ewerling Batista
São seis da tarde. Hora de ir para a academia. Estou animado, pronto para treinar. Guardo minhas coisas e sigo motivado.
Chegando lá, vejo um senhor usando o aparelho que eu iria começar o meu treino. Tudo bem. Começo em outro.
O tempo passa. Faço um exercício, logo após outro… e ele continua lá.
‘’ Quando ele vai sair? Já estou quase terminando o treino, e ele só fica mexendo no celular…’’
Respiro fundo. A paciência também é parte do treino.
E, finalmente, ele sai. Rapidamente, faço minhas séries no bendito aparelho. Agora só falta o último exercício.
Enquanto estou fazendo a última série, o mesmo senhor se aproxima e pergunta:
-Faltam muitas ainda?
-Não, estou quase acabando.
-Quantas séries faltam? Respondo calmamente:
-Do exercício, uma. De mexidas no celular… umas quatro.
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"Tempo", por Jamyle Budny
Do latim tempus, pode ser conceituado pela maneira como contabilizamos os momentos, seja em horas, dias, semanas, séculos, enfim. Mas não há definições em dicionários físicos ou online que expliquem como me sinto sobre ele.
O tempo que não para. O tempo que não espera. O tempo apressado, que escorre como as águas de um rio impetuoso. Que é levado com o vento junto das folhas que se desprendem das árvores no outono. Que é a areia posta em recipientes de vidro resultando em ampulhetas. Estas, que assim como o relógio e seus ponteiros, e assim como as pessoas à minha volta, sentem-se no direito de dizer: “está atrasada!”. Atrasada para quê? Para um compromisso, para a aula ou para a vida no geral? Dormi demais e perdi a hora, vivi por um futuro e perdi o presente.
Se Renato Russo já nos falou, em 1986, que temos nosso próprio tempo, por que vou comparar o meu ritmo ao de pessoas alheias? Jamais quis fazer uma tatuagem, eternizar algo em meu corpo que seria resistente ao passar dos anos. Mas talvez, sua música possa ser uma exceção, e um lembrete para que eu viva no meu momento, a minha própria maneira de medir o tempo.
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"Acordei mais um dia", por Riahn Everling Fonseca
Acordei outro dia, pronto para ir à escola. Olhei o celular. Lá está ela, a mulher mais relevante do Brasil, Virginia Fonseca. Rolo o feed um pouco mais. Tatiana Sampaio desenvolveu a polilaminina — uma molécula capaz de regenerar conexões nervosas e recuperar movimentos em pacientes com lesões medulares, como tetraplegia e paraplegia. Penso por alguns segundos: como pode a Virgínia, uma influenciadora dentre milhares outras, ser mais importante que a Tatiana? Nada contra a Virgínia, apenas acho que certas coisas verdadeiramente relevantes estão sendo deixadas de lado.
Às vezes parece que desaprendemos o que realmente importa. Esquecemos o verdadeiro significado de importância — que deveria ser mudança, não popularidade. E, sinceramente, gravar vídeos dançando para a câmera não é uma mudança realmente importante. Posso não ser totalmente informado sobre a vida de famosos, mas não consigo me lembrar de nada em que a Virgínia tenha sido importante para o desenvolvimento da sociedade.
Há dias que preferia voltar para quando relevância era o mesmo que importância. Hoje em dia, sinto que o mundo se repete em um ciclo de ingenuidade sem fim. Não vejo um futuro bom se continuarmos assim. Quantas pessoas perderam a vontade de pensar minimamente? De formular uma frase ou até mesmo verificar uma notícia? A internet pode até ter contribuído para o compartilhamento de informações. Mas de que importa se a informação é falsa? Os seres humanos estão lentamente se transformando de Homo sapiens para Homo ignarus.
Acordei outro dia com menos vontade de ver o mundo. Acordei mais um dia sem vontade de acreditar no que vi. Acordei mais um dia sem paciência para ignorar a ignorância. Acordei mais um dia sem entender. Acordei mais um dia sem concordar. Acordei mais um dia… e, mesmo assim, abri o celular.
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"Feliz Dia da Mulher", por Sarah Isabelli Weber Dick
Dia da mulher, 8 de março, um dia tão grandioso. O dia do “Parabéns, guerreira.”. O dia do bombom e da flor. O dia em que todos postam um “Feliz Dia da Mulher” a todas nas redes sociais. O dia em que todos, de repente, parecem se importar com isso. Comemoram o dia da mulher como se fosse um dia alegre, vendem produtos como se fosse uma data comemorativa comercial, porque é o que virou.
O engraçado é: por que não parecem se importar nos outros 364 dias do ano? Não parecem se importar em agir no resto do ano, ignoram quando alguma mulher pede ajuda, debocham de algum gosto, julgam a aparência, dão risada quando os amigos fazem piadas sobre suas companheiras.
Outra questão, por que tratam como uma data comemorativa e alegre? Ninguém lembra o real significado do porquê de termos um dia? Do porquê precisamos ter um dia? Não é para nos acharmos superiores ou mais importantes que o resto, como alguns gostam de dizer. Falam que não faz sentido ter esse “Dia da Mulher”, que é sem significado. Esse dia era para nos fazer lembrar de um 8 de março de 1917, em que operárias russas foram às ruas em protesto, buscando salário e horários de trabalho dignos, e tudo que isso significa, não a data e o acontecimento, mas toda a luta por trás. Julgam uma mulher por ter uma simples tatuagem de borboleta, mas não vejo essas mesmas pessoas se importando nessa mesma quantidade com uma mulher que foi agredida. Julgam a roupa que usa, o lugar em que frequenta, as companhias que escolhe. Sempre há um motivo para o qual julgar, para jorrar seu ódio e seu preconceito. Importam-se em dar ênfase a esses detalhes, para diminuir. E então, no dia das mulheres, todos param com isso, para depois voltar.
Dias das mulheres não é sobre as flores, é sobre criar a consciência da falta de respeito que ainda existe, da falta de direitos e de proteção, e se lembrar de pensar nisso durante o resto do ano, não só no dia 8 de março.
Não há como ter todos os direitos possíveis quando, em menos de três meses, já houve mais de 240 feminicídios, quando criam um documentário para descredibilizar a história de uma mulher que deu a nome a Lei Maria da Penha. Não quando há, em média, 12 mulheres sendo agredidas por dia no Brasil.
Sendo assim, Feliz Dia das Mulheres!
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"(In)decisão da minha vida", por Gabrielly Grechi
"(In)decisão da minha vida", por Gabrielly Grechi
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"Entre repetições e notificações", por Igor Ewerling Batista
"Entre repetições e notificações", por Igor Ewerling Batista
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"Tempo", por Jamyle Budny
"Tempo", por Jamyle Budny
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"Acordei mais um dia", por Riahn Everling Fonseca
"Acordei mais um dia", por Riahn Everling Fonseca
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"Feliz Dia da Mulher", por Sarah Isabelli Weber Dick
"Feliz Dia da Mulher", por Sarah Isabelli Weber Dick
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